Zé Ramalho, Chão de Giz e Sua História

Chão de Giz, Zé Ramalho

Zé Ramalho, grande cantor da música popular brasileira, escreveu o seu grande sucesso “Chão de Giz” cheio de metáforas.  Por trás dessas figuras de linguagem, ele abre a sua intimidade e conta a história de um jovem de 21 anos e seu amor platônico e arrebatador.  Uma mulher mais velha, casada com um empresário paraibano, é o pivô dessa história de amor impossível que, anos mais tarde, se tornaria o seu grande sucesso.

Ambos se conheceram no carnaval. Zé Ramalho ficou perdidamente apaixonado por esta mulher, que jamais abandonaria um casamento para ficar com um “garoto pé-rapado”. Ela apenas “usava-o”. Assim, o caso que tomava proporções enormes foi terminado. Zé Ramalho ficou arrasado por meses, mudou de casa, pois morava perto da mulher e, nesse meio tempo, compôs Chão de Giz.

Aqui vai um pouco da história dessa pérola da música brasileira:

Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre
Um Chão de Giz

(Espalhava lembranças do relacionamento dos dois num “chão de giz“, representando o efêmero, amor passageiro.)

Há meros devaneios tolos
A me torturar

(Lembranças boas de uma aventura amorosa que agora viraram tortura.)

Fotografias recortadas
Em jornais de folhas
Amiúde!

(Ele cortava as fotografias dela que saiam no jornal, pois ela era figura sempre presente nas colunas sociais.)

Eu vou te jogar
Num pano de guardar confetes

(Pano de guardar confetes são sacos feitos de um tecido bem fino e transparente, nos quais se guardam os confetes para jogar no carnaval.  Ele prefere guardá-la como uma lembrança de um carnaval que passou.)

Disparo balas de canhão
É inútil, pois existe
Um grão-vizir

(É uma batalha inútil, pois ela é casada com um homem muito rico.)

Há tantas violetas velhas
Sem um colibri

(Aqui ele ressalta a sorte que ela tem, pois existem tantas mulheres maduras por aí que não tem um jovem para cortejá-la.)

Queria usar quem sabe
Uma camisa de força
Ou de vênus

(A dualidade dos sentimentos, loucura e desejo.)

Mas não vou gozar de nós
Apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom…

(Um amor passageiro e não-correspondido, somente para se ter o prazer do cigarro depois do sexo.)

Agora pego
Um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez

(Ele vai embora, perdeu a batalha como se fosse nocauteado no boxe.)

Prá sempre fui acorrentado
No seu calcanhar

(Um amor unilateral, onde ele é tão preso a ela que chega a se humilhar.)

Meus vinte anos de “boy”
That’s over, baby!
Freud explica…

(Somente Freud para explicar esse Complexo de Édipo, um rapaz jovem se apaixonar por uma mulher tão mais velha que ele.)

Não vou me sujar
Fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar
Gastando assim o meu batom

(Agora ele tem consciência que esse romance não irá adiante e não vale a pena mais investir nele.)

Quanto ao pano dos confetes
Já passou meu carnaval
E isso explica porque o sexo
É assunto popular…

(O amor de carnaval foi passageiro. Ela queria só sexo e não o amor dele.)

No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais estou indo embora!
No mais!…

(Assim, ele encerra a canção e o amor passageiro, chegando até mesmo a mudar de cidade para não mais vê-la.)

 

Afinal, o que seria da poesia se o poeta não sentisse dor?

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